20.4.16

Abrindo a bagagem

O fotógrafo John Crispin fez o registro de 400 malas de pacientes do Hospital Psiquiátrico Willard, que depois virou Asilo. As malas foram encontradas no sótão do prédio em 1995 e são de pacientes que viveram ali entre 1910 à 1960. Algo que foi tão vivo e importante um dia, hoje se torna um objeto tocante, um estudo antropológico sobre a memória de alguém.


Edifício central do Hospital Willard, demolido em 1980

"Suitcase" da paciente Freda B

Fazer uma leitura é delicado, cada objeto dentro de cada mala é o que restou da vida que existiu antes de serem internados. Os pertences, as fotografias, a memória dentro das memórias que foram escolhidas para estarem ali. Algo aparentemente sem valor, que pode carregar tantas histórias, tanta vida, tantas lembranças de pessoas que foram isoladas da sociedade, por problemas "comportamentais" que poderia ser um desconforto inconsolável da morte de alguém, um homossexual ou alguém que realmente tinha distúrbios psicológicos sérios. Todos juntos, ricos e pobres, isolados e unidos durante parte de suas vidas e agora por bagagens póstumas. 


"Suitcase" do paciente Dmytre Z

"Suitcase" do paciente Dmytre Z

"Suitcase" da paciente Anna G

Qual objeto você levaria? Por qual memória gostaria de ser lembrado? Como você se resumiria em uma bagagem? Ou alguém faria isso por você? 


"Suitcase" do paciente Frank C

"Suitcase" do paciente Frank C

O fotógrafo acredita que os funcionários deveriam ter uma relação estreita entre pacientes, até porque muitos são parentes que trabalharam ali, e isso os impediu de tratar os pertences levianamente e por um sinal de respeito, guardaram ali. Hoje as malas estão no New York State Museum


"Suitcase" do paciente Floyd C

No site do projeto é possível ver o conteúdo das malas através do nome de cada paciente. 
Site do fotógrafo John Crispin