24.2.16

Leitura de Imagem

Foto retirada do Pinterest

Fiquei encantada quando encontrei está imagem, no Pinterest. Infelizmente não encontrei o autor. Me fez refletir sobre a forma como a arte entrou na minha vida e como sem ter o menor grau de instrução eu me envolvi, e foi a partir daquele momento que começou minha formação visual.  Não me lembro exatamente qual foi o primeiro Museu que visitei, mas as pinturas sempre estiveram na minha casa, e outras artes como, livros, músicas e filmes. Mas me lembro da minha primeira grande exposição, que foi na Pinacoteca do Estado onde fui ver "August Rodin", artista com o qual tive um quase eterno caso de amor com suas obras, em outro post explico isso melhor. 

Antes disso uma introdução: o meio de pesquisa e informações, na infância nos anos 80/90 eram as enciclopédias e bibliotecas. Eu era a melhor amiga da "Barsa" e foi através dela que o mundo se abriu para mim, inclusive as história de obras de arte como dos seus respectivos pintores. Também recebíamos da empresa em que meu pai trabalhava um calendário anual, onde continha os maiores autores de varias épocas, mas não pense você que era uma folhinha qualquer, era grande e com boa impressão. Por coincidência ou não minha professora de História da Arte no curso de Design de Interiores usava como apoio de aula.  
Já meu irmão leitor feroz em sua adolescência e juventude, conhecia a obra "O Pensador" porque em algum momento leu algo sobre Dante Alighieri, que é o modelo da obra. Ele então ficou sabendo que esta obra estaria em São Paulo e pediu para que meu pai o levasse. Eu não me importei muito e não fui, eles voltaram após quatro horas de fila e um encarte da exposição nas mãos, este que imediatamente me chamou a atenção. Como a paixão foi imediata pedi para meu pai me levar também, pobre pai! Ficamos desta vez seis horas na fila, me lembro que entramos quando estava quase anoitecendo e fomos o, último grupo a entrar, eu tinha 16 anos. Obviamente a exposição foi algo inesquecível, mas depois que passamos por ela, eu comecei a ver todo o prédio e visitar o acervo permanente, outra paixão, e deste dia em diante eu tive certeza que aquela forma de arte também me comovia, foi o início da busca por exposições, museus e leitura.
Hoje tudo isso me trouxe até aqui, a minha bagagem foi essa, tive a sorte de ter bons professores de História da Arte, de ser bem direcionada em relação a isso, aprendi sobre as técnicas, períodos, os artistas, entender as formas de expressão na pintura, cinema, escultura, fotografia, de forma acadêmica. Apesar de ter estudado um pouco de toda essa ciência, eu ainda acho que a maior forma de se entender uma obra é exatamente como uma criança, não pela inocência e sinceridade, mas pela bagagem que ela carrega na sua pequena vida. A garotinha se deixou tocar pelo que viu (algo criado por alguém) e se deixou expressar com o corpo. Essa foi a forma que ela entendeu a pintura. 
Vejo a distância que as pessoas tomam de museus e obras de arte, o medo que causa não entender o que aquele artista quis dizer, e assim deixam de experienciar, na minha opinião o verdadeiro propósito da arte. Um autoconhecimento,conceder que qualquer sentimento venha a tona, se permitir levantar as pernas e braços porque viu uma bailarina na pintura, e da mesma forma espontânea liberar a catarse. 
Volte e analise a imagem mesmo com mais bagagem que a da garotinha, não da uma vontade de mover o corpo com tanta leveza?!